A ESTAÇÃO IMAGEM, com o apoio da Câmara Municipal de Mora, atribuiu, entre 2010 e 2014, uma bolsa anual destinada à realização de um projecto documental sobre o Alentejo. O​s​ trabalho​s​ foram publicados em livro e divulgados através de exposições itinerantes.

Caça grossa
António Pedrosa

“Estamos a atravessar tempos difíceis” afirmou Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA).


Mas estes tempo difíceis são só para a caça tradicional. Aquela que é a caça grossa, dos javalis, gamos, veados, corços e do muflão continua sem sentir a crise.


A caça tradicional, em terrenos associativos, sofre fortemente os efeitos da crise, com a quebra da capacidade financeira dos caçadores. Com o aumento do desemprego e diminuição do poder de compra muita gente abandona a atividade da caça, transformando-a num desporto de ricos. De 350 000 caçadores há alguns anos passou para cerca de 150 000 atualmente.


Mas ao mesmo tempo a caça grossa (em propriedades com centenas de hectares onde são criados animais para a caça) com valores a pagar sempre acima de 250 euros podendo chegar a 5000 euros nos cercons continua a achar clientes, muitos vindos de países estrangeiros. O número de caçadores de caça grossa aumenta para cerca de 30 000.


Para alguns proprietários é mais rentável produzir javalis e fazer este tipo de caçada de dois em dois anos do que estar a criar porcos ibéricos, vacas ou ovelhas. Além disso certas espécies , como a lebre o coelho e a perdiz praticamente desapareceram de algumas regiões, pelo que hoje as pessoas voltaram-se para a caça maior.
No panorama nacional de caça o Alentejo representa a melhor zona, com maior variedade cinegética. Nesta região encontra-se desde a caça à lebre, à perdiz, ao veado e ao javali. E também aqui se encontram os grandes latifúndios onde apenas alguns caçam os animais que ali são criados.


Com a Bolsa Estação de Imagem| Mora gostaria de seguir um ano de caça no Alentejo, a melhor zona de caça em Portugal, documentando coutadas, zonas da caça associativa, montarias e mesmo falcoaria.
Para realizar este projeto é necessário seguir o calendário cinegético anual, seguindo as caçadas e os caçadores de acordo com o as épocas de reprodução.


O montante da Bolsa seria utilizado em película e revelação, transporte, alimentação e alojamento.


A Bolsa possibilitaria documentar os diversos tipos de caça em Portugal, e como se dividem durante o ano. Desde a lebre, aos tordos, ao javali, a raposa e ao veado. Possibilitaria também perceber quem tem acesso aos recursos cinegéticos em Portugal, e a respectiva divisão social.


Será que a caça é factor de desenvolvimento rural e de manutenção da diversidade biológica? Será a caça um desporto de ricos? São estas das perguntas que gostaria de desenvolver com o meu projecto “Caça Grossa”.

António Pedrosa
2013

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