Lugares de silêncio
Bruno Simões Castanheira

Aldeias e sítios do Parque Nacional da Peneda Gerês

Situado no Alto Noroeste de Portugal, ocupando uma área de cerca de 72 000 ha, o Parque Nacional da Peneda-Gerês corresponde a um território de valor natural e paisagístico ímpar. As serras do Parque foram humanizadas em continuidade, pelo menos desde o Neolítico, e a paisagem completa-se com marcas da milenar ocupação humana. Necrópoles, pinturas rupestres, vestígios da ocupação romana e povoados medievais, subsumidos ou eminentes na paisagem natural, revelam silenciosos a unidade feita pelo tempo entre o homem e o meio ambiente por ele habitado.   No fundo dos vales encaixados entre relevos bruscos subsistem também pequenos povoados, frequentemente erguidos sobre os afloramentos rochosos, de modo a libertar o espaço retalhado para a agricultura e para a pastorícia. São evidências da ocupação humana que se estendem através de muros e socalcos, espigueiros, fojos de lobos, abrigos de pastor ou alminhas, fornecendo marcas indeléveis da comunicação vital entre homem e natureza. Uma relação ora cooperante, ora tensa, como aquela que se estabelece entre pastores e rebanhos e lobos, refletindo a complexa transação entre humanidade e animalidade que se estabelece no território. Expressão de uma sociedade agrária em desaparecimento, estes povoados são lugares de silêncio, afundados em vales profundos, encobertos na neblina ou envoltos no verde opressivo da paisagem. Com efeito, estima-se que em 2011 residissem no Parque apenas cerca de 7000 pessoas, dispersas por 114 aldeias. São sobretudo mulheres e idosos que se ocupam da agricultura e da pastorícia, e que resistiram, por vontade ou por fatalidade, ao êxodo rural e às profundas transformações que têm marcado o território. Com o envelhecimento da população e a transformação do espaço rural em espaço de consumo para turismo, são eles os últimos vestígios humanos de um modo de habitar e de conceber o mundo em vias de desaparecimento.  

MODO DE EXECUÇÃO
A partir da metodologia etnográfica, a execução do trabalho assenta no estabelecimento de redes de comunicação amplas com as pessoas, os lugares, as coisas e os elementos naturais que habitam o Parque. Serão realizadas estadias de média duração, em particular nas aldeias e povoados identificados, e documentar-se-ão modos de co-habitar, as relações corpo a corpo com a natureza, os misticismos e os quadros de referência simbólicos que as medeiam, e ainda as profundas alterações sócio-económicas que, nas últimas décadas, têm vindo a alterar esses padrões de relações.  

OBJECTIVOS
O trabalho a realizar tem dois objectivos:

  • Documentar os vestígios de uma sociedade e economia rurais, bem como o seu intenso processo de transformação social, nas aldeias e sítios isolados do Parque e junto das suas parcas populações;
  • Documentar a relação sinestética entre o homem e o meio envolvente, evidenciada na profusão de texturas que denotam a presença magnânima do meio natural, bem como a sua integração nas formas e coisas aí construídas pelo homem.  

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